Livre Pensar


HOLOREDES

Informação = o elo (fundamental) que une um indivíduo a outro;

 

Indivíduo =  O exemplar de uma espécie orgânica qualquer que constitui uma unidade distinta (Aurélio). Não importa a que espécie pertença: ininterruptamente recebe e transmite informação;

 

Holorede-terra = Emerge da fluição constante de informações entre todos os indivíduos do planeta

 

Holorede-humana = um aspecto da Holorede-terra. Emerge da fluição constante de informações entre todos os indivíduos humanos.



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 13h20
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Empresas como redes expandidas

Empresas são fenômenos de emergência, emergem da interação entre as pessoas que as compõem. É através do fluxo contínuo de informações que as empresas se estruturam e definem suas identidades. Empresas são entidades abstratas, são redes de pessoas que se juntam com determinado objetivo às quais se convencionou chamar empresas.

Empresas em rede se movem em mercados em rede. Mercados também nada mais são que redes. Redes de instituições variadas compostas por pessoas e são estas que se conectam umas às outras. Quando dizemos que duas empresas se relacionam estamos dizendo que pessoas da rede de uma empresa se relacionam com pessoas da rede da outra empresa.

A rede de pessoas que compõem uma empresa é uma “rede primária (grau 1)”. Cada pessoa dessa “rede primária” está também conectada a outras redes: família, amigos, colegas de escola, associações, etc. Estas “redes secundárias (grau 2)” influenciam profundamente as pessoas da rede primária. Há um fluxo contínuo de informações entre a rede primária e as redes secundárias, portanto, há reverberação, re-alimentação, influência mútua.

É discurso comum dizer que a vida particular de uma pessoa não deve interferir na sua vida profissional e vice-versa. Esse discurso não se sustenta na prática. As experiências de uma pessoa são traduzidas em estruturas neurais, em combinações químicas delicadíssimas, em memórias... Está tudo entrelaçado, a prática cartesiana de dividir para compreender: lado profissional, lado afetivo, lado famíla, lado religioso, lado isso, lado aquilo, cria a falsa ilusão de que a junção dos fragmentos leva ao entendimento do todo. Essa lógica é uma senhora de 400 anos de idade! Somos sistemas indivisíveis, imprevisíveis, em constante mutação e não fragmentados, previsíveis e classificáveis. Pessoas da “rede primária” são continuamente influenciadas por suas “redes secundárias” e vice-versa.

Quando uma empresa contrata um novo funcionário conecta-se uma nova “rede secundária”. Há uma “expansão” das fronteiras da “rede primária”. Quando um funcionário deixa a empresa uma “rede secundária” se desconecta: contração de fronteiras. As redes pulsam, se movem no espaço-tempo mudando suas estruturas continuamente.

As “redes secundárias externas (grau 2)” englobam as redes de clientes, parceiros e fornecedores e da mesma forma, influenciam a “rede primária” e vice-versa. Abrir novos mercados é conectar-se a novas redes.

As “redes terciárias (grau 3)”, são redes de grau1 para as “redes secundárias” e redes de grau2 para as “redes primárias”. E assim por diante...

É neste universo de redes expandidas que se dá a dinâmica de uma empresa.

Esta percepção de empresas como redes expandidas que se movem em redes de mercado demanda uma lógica sistêmica na adoção de inovações e de solução das dificuldades, tão recorrentes e universais que já se pode dizer que são tradicionais: concorrência, qualidade, retenção de talentos, produtividade, processos, lideranças, etc. Todos estes problemas estão entrelaçados e não podem mais ser pensados isoladamente! Empresas em rede são mentes coletivas e da mesma forma que não é possível separar um ser humano em partes, tampouco é possível pensar uma mente coletiva fragmentadamente.

Empresas em rede são sistemas complexos adaptativos que demandam soluções sistêmicas, entrelaçadas e únicas. Não se encontra um cérebro humano igual a outro, nem uma mente coletiva igual a outra. A solução que funciona bem para uma certamente não funcionará da mesma forma para outra. Na sociedade em rede não há mais espaço para soluções em série, fragmentadas e empacotadas.

Essa idéia de redes expandidas é aplicável a qualquer tipo de organização, instituição, associação, ou o que quer que chamemos a uma rede de pessoas conectadas com um objetivo em comum.



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 13h20
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Fronteiras são ilusões de lógica

Fronteiras são ilusões de lógica

 

 

Pessoas podem mudar toda a sua forma de perceber o universo num único segundo, sociedades não. A mudança social é um processo longo se comparado à mudança individual. Coletivamente mudamos por reverberação, novas idéias surgem e são “adotadas” pelas pessoas que entram em contato com elas. Cada pessoa que “adota” uma nova idéia faz com que ela se espalhe por sua rede de relacionamento e assim ela pode (ou não) reverberar por toda a estrutura social. Fluxos de novas idéias convivem com fluxos de idéias já conhecidas e atuantes. A sociedade evolui ao longo do tempo através dessa “tensão” entre cultura e contra-cultura. Ela se equilibra no limite do caos, nesse ponto  suspenso entre ordem (o conhecido) e caos (o novo). A ordem mantém a existência e o caos leva à evolução. Ambos são necessários e dependentes, não podem ser compreendidos isoladamente.

 

O velho e o novo sempre convivem numa mesma rede. O “novo” aparece como alternativa e não como substituição do “velho”. Note-se que na sociedade humana moderna convivem, por exemplo, grupos de caça e coleta, agrários, industriais e digitais...

 

Da mesma forma, organizações são redes de pessoas cuja dinâmica acontece no limite do caos. Fluxos incessantes de informações percorrem a rede e ao mesmo tempo que mantém a estrutura coletiva permitem também adaptação e evolução. Essa percepção pressupõe uma nova maneira de pensar o viver (com-viver) em redes. Nasce como algo novo, portanto como opção. Algumas organizações optarão por  adotar os conceitos e as práticas das redes distribuídas, outras não. Um terceiro grupo talvez ache mais confortável um “caminho do meio”.  Isso faz parte da dinâmica social.

 

Para as organizações que têm interesse em adotar esse novo paradigma das redes distribuídas (aqui discordando completamente do Capra que acha que redes são apenas metáforas) acredito que a ARS seja uma ferramenta fundamental. A visualização de uma rede desenhada pelas pessoas que a compõem (os softwares apenas traduzem para uma linguagem gráfico/matemática o que foi descrito pelas pessoas que responderam à pesquisa) é sempre muito impactante. A construção conjunta da significação dos resultados já é, em si, um processo de transformação. Há uma ampliação do limite do concebível e novos caminhos de desenvolvimento, antes inconcebíveis, se abrem.

 

Na rede-mãe (composta por todos os seres humanos) não existem fronteiras de fato, só as que imaginamos que existam. Existe um fluir constante de informações que não pode ser interrompido, nem controlado. Quando falamos em Análise de Redes Sociais estamos dizendo que vamos tomar como ponto de partida (foco-rede primária) um pedaço (pequeno) da rede-mãe que deve ser compreendido como uma “particularidade relativamente independente” (David Bohm). Cada um de nós, cada organização, vive numa rede expandida: sem fronteiras. Fronteiras são ilusões de lógica.



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 13h15
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Diálogos II

 

(Fim de tarde, tomando chopp no boteco da esquina...)

 

 

- Que tudo está mudando é evidente! Mas não sei bem onde vamos chegar! Para mim é tudo uma grande confusão!

 

- Mas em que momento este mundo não foi confuso? Poxa tenho 30 e até agora só vivi crises! Da guerra fria (lembro!), do petróleo, dos bancos, dos alimentos, dos... e dos... Isso sem contar minhas crises particulares!

 

- O que você acha, Pentejo?

 

- Acho que precisamos de filósofos porque o mundo sempre foi instável! Se fosse estável não precisaríamos entender coisa nenhuma, tudo já teria se tornado perfeitamente compreensível!

 

- E, cá entre nós, seria um mundo para querer morrer! Entediante!

 

- Está querendo dizer que aquilo que nos excita também nos desestrutura?

 

- Pode se dizer que sim... Olhem para este “universo virtual”! Você sabe como se mover nele? Vejam que a coisa não está apenas em conhecer ferramentas, aliás eu diria que esse é o menor dos nossos problemas.

 

- Pois é... E eu que cresci aprendendo que não se devia falar com estranhos!

 

Gargalhadas

 

- Não sei se acontece com vocês, mas tenho uma certa desconfiança  dessas tais comunidades on-line, tão em voga no momento. Ou as pessoas ficam trocando “smacks”... ou...

 

- Pera aí “smacks” o que é isso?

 

- Poxa, já viu essas salas de bate papo? É beijinho pra lá, beijinho pra cá e de assuntos interessantes, nada!

 

- Mas até aí, não tem grande diferença do mundo em que vivíamos antes! Os assuntos acabam sempre sendo os mesmos! Com as eleições aí, por exemplo, já viram o twitter? Marina pra lá, Serra pra cá, Dilma acolá... E antes era o BBB, ganha Dourado, perde Dourado e eu que odeio BBB tinha que mastigar essas twittadas... Andei fazendo umas cabeças rolarem no meu twitter por conta disso! Aí descobri que de 30 sobraram 3! Céus!

 

- Poxa gente, a política existe desde que nos fixamos à terra, há uns 10 mil anos? E nunca resolveu problema nenhum! Política é a arte de proteger uns poucos em detrimento dos demais e usando o povo como desculpa!

 

- Pentejo, você que é todo metido a sabichão, o que pensa disso?

 

- Puxa Helena, isso não foi muito gentil! Por que metido a sabichão? Só porque minha conversa sai do lugar comum?

 

- Tava só brincando cara! Às vezes parece que vc não tem senso de humor!

 

- Humm, eu diria que meu senso de humor é apenas diferente do seu! O que para vc é um comentário engraçado, para mim pode soar como agressivo... o que pra mim é um comentário bem humorado, para você pode ser apenas enfadonho! Fazer o que?

 

- A realidade é interpretativa, isso é evidente! Cada um com suas estruturas neurais!

 

- De um lado temos a homofilia, essa tendência a estarmos próximos de pessoas que pensam como nós... e de outro a diversidade. Acaba sendo um paradoxo. De certa forma vivemos em tribos como nossos antepassados, quase sempre abominando as outras tribos...

 

- É... hoje são tribos virtuais.. Convenhamos que é muito mais fácil construir tribos agora do que antes! Mudaram as ferramentas, mas continuamos essencialmente os mesmos.

 

- Nossos sofrimentos parece que surgem da nossa incapacidade de aceitar a diversidade... Vivemos uma compulsão de apropriação da verdade.

 

- É uma apropriação da geração da verdade, diria eu, mais que da verdade... Não existem verdades, o que existe é a criação de verdades!

 

- Espera aí! Como não existem verdades? A Terra gira em torno do sol, isso é ou não uma verdade?

 

- Em 1400 isso seria uma mentira absoluta, hoje é visto como uma verdade inquestionável, mas o que vai ser em 2100?

 

- Opa! Se o raciocínio for por aí vamos concluir que o universo só existe porque o estamos pensando...

 

- É uma forte possibilidade, por que não?

 

- Não venham com essa conversa! Só faltava essa! Como negar a matéria? Como negar tudo o que vemos, ouvimos, tocamos? Como dizer que o dia, a noite e as marés são invenções nossas? Como negar que o tempo existe?

 

- Tempo nada mais é que medida movimento! Você consegue imaginar o tempo sem movimento? Entre uma maré baixa e uma alta o que existe? Movimento, do qual o tempo é a medida! O que é um relógio? Movimento que classificamos como segundos, minutos, horas...

 

- Ops! Está ficando complexo! Garçon, mais um chopp!

 

- O tempo é realmente uma dimensão que atravessamos, ou é mais uma commoditie que consumimos? Estou me movendo através do espaço ou o espaço está se movendo através de mim?

 

Silêncio.

 

- Credo! Vamos pegar mais leve, gente?

 

- Voltando a essa questão do universo virtual, não dá para negar que essas redes sociais como o Orkut, Facebook e etc, estão mudando nosso comportamento, concordam?

 

- Se o Orkut é uma rede social, como vc chama às pessoas que fazem parte dele?

 

- Orkuteiros! Oras!

 

- Ok! Vou mudar a pergunta: Se não houvesse nenhuma pessoa no Orkut o que ele seria?

 

- Um software!?

 

- Exato! Só um software, não uma rede social. Redes sociais são pessoas interagindo, Orkut, Facebook, Ning, são apenas ferramentas que ajudam na interação... Redes sociais são pessoas que, no caso do universo virtual, utilizam softwares para interagir.

 

- O que nos leva à questão de que redes sociais são tão antigas quanto a humanidade. A tecnologia é que é nova.

 

- Da mesma forma que a descoberta da tecnologia do fogo mudou completamente as vidas dos nossos antepassados, que passaram a cozer os alimentos, a iluminar as noites, a aquecer os longos invernos... Assim também primeiro a internet, e agora a web 2.0 estão mudando nossos relacionamentos e a maneira como lidamos com o conhecimento...

 

- Mas, note-se, que a mudança social, a adaptação a novas tecnologias é um processo que não acontece da noite para o dia!

 

- Verdade! Voltamos à questão inicial, como é que nos relacionamos no universo virtual? Parece que ainda da mesma forma que nos relacionavamos antes da internet!

 

- Existe uma quantidade imensa de conhecimento na internet. Poderíamos nos tornar todos autodidatas mas ainda estamos presos ao velho ranço de cursos, professores, alunos e conteúdos elaborados por outros. Ainda aprendemos por monólogos e não por multiálogos... Isso é medieval! Da época em que poucos sabiam ler e escrever!

 

- Calma lá, gente! A Internet tem o que, uns 10 anos de vida? Nem adolescente é ainda e vocês já estão querendo que use salto alto?

 

- 10 anos não! A danada já tem uns 20 ou mais! Já é maior de idade!

 

- Uau! Parece que foi ontem que mandei meu primeiro e-mail!



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 09h10
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Diálogos I (almoçando numa terça-feira)

- Nossa! Incrível! Isso facilita muito a gestão! É só mandar embora os isolados e promover os mais conectados!

 

- Concordo que isso seria uma solução tradicional... Mas penso que a coisa é bem mais complexa!

 

- Como assim mais complexa? Parece-me que isso simplifica tudo!

 

- Depende do ângulo que se olhe! Não se esqueça que teremos que fazer nova medição daqui a um tempo!

 

- E daí? Certamente com essas ações na próxima medição vai sair tudo redondo!

 

- Como assim, redondo? O que você quer dizer?

 

- Ora, na próxima medição não teremos mais isolados uma vez que foram mandados embora! E tem mais, agora que temos clareza que estas áreas não estão se comunicando fica bem fácil fazer algo a respeito!

 

- E o que você faria?

 

- Bom, é só falar com os supervisores das áreas e jogar o problema no colo deles! Para isso foram contratados!

 

- Do jeito que você fala parece até que seres humanos são lineares! Mas lembre-se que seres humanos são sistemas complexos e imprevisíveis.

 

- Complexo é você, meu caro! Aqui a gente manda e o povo obedece. Todos nós gestores, fomos escolhidos a dedo, muitos de nós temos mestrado/doutorado ou no mínimo MBA, somos extremamente competentes.

 

- Ah!

 

- E além disso, temos programas constantes de desenvolvimento de lideranças. Queremos ser a empresa mais admirada do Brasil, ou já esqueceu?

 

- Sim, isso está claro. Você é casado?

 

- Não entendi, você está careca de saber que sou casado, mas o que isso tem a ver com a conversa?

 

- Bem, suponho que casados ou não todos que aqui trabalhamos convivemos com algum tipo de família, certo?

 

- Sim, e daí?

 

- Você não acha que essa convivência “externa” afeta o modo como as pessoas agem aqui?

 

- Quê isso! Profissionais competentes separam muito bem sua vida particular da sua vida profissional!

 

- Ah! Diga-me, quando você vem para o trabalho todos os dias, você deixa em algum tipo de gaveta as tuas experiências fora do trabalho?

 

- Não entendi, o que vc quer dizer com isso?

 

- Bem, entendo que a nossa memória vai conosco para todos os lugares, não há separação possível. Assim, se eu tenho um problema com o meu filho, infelizmente não vou poder deixá-lo em casa, o problema, quero dizer! Vou ter dificuldade de concentração pois o danado do problema vai voltar à minha mente o tempo todo. Posso disfarçar bem e talvez ninguém perceba, mas certamente vou render menos. Não somos robôs! Você mesmo passou uns três dias bicudo por causa daquela discussão que teve com a Beatriz!

 

Silêncio...

 

- Vc tem lá certa razão! Mas pensando assim isso aqui vai virar uma zona!

 

- Como assim “vai virar”? Já é uma zona, só que disfarçada! Hipócrita. Velada. Veja, por exemplo, esse afunilamento hierárquico.

Dizem que temos que cooperar uns com os outros. Mas o que acontece é que competimos ferozmente uns com os outros. Sejamos honestos, entre a empresa e eu, primeiro eu! Uma vaga de diretor pra 30 gerentes, uma vaga de gerente pra 50 supervisores! Planos de carreira têm a ver com subir de cargo, não há outro plano possível numa estrutura hierárquica! Por mais que se tape o sol com a peneira criando faixas salariais dentro de um mesmo cargo o objetivo é sempre subir na estrutura hierárquica! Ou você é sortudo, pois conseguiu ser favorito de algum Deus, ou a alternativa é tentar algo em outra empresa. Aí vão reclamar da evasão de talentos!

 

- Mas é fato que seres humanos têm enormes diferenças. Quer vc queira ou não, uns são mais competentes que outros!

 

- Será? Quem é que decide quem é mais ou menos competente? Aponte-me, por favor, algum ser humano que seja neutro!

 

- Ah, nem vem! Está me dizendo que um Mané que trabalha no chão de fábrica pode ser mais competente que eu ou você?

 

- Pois é, está aí outra questão interessante... Isso podia ser verdade há 100 anos quando o acesso ao ensino era restrito a uns poucos. Mas veja que até o Mané para ser contratado precisa ter, no mínimo, uma faculdade, uma especialização qualquer, conhecimento de informática, saber se relacionar, ser emocionalmente estável e sei lá o que mais.  As linhas de produção são mecanizadas! Mesmo os Manés, não trabalham mais com os músculos, mas com o cérebro! No nosso caso é pior ainda pois somos uma empresa de consultoria, cujo produto tem a ver com conhecimento.

 

-  E isso quer dizer o que, exatamente?

 

- Quer dizer que o fato de ocuparmos um cargo gerencial é mais oportunidade do que competência... Têm uns garotos  que trabalham na minha área que são feras. Estão o tempo todo questionando minhas decisões e, para ser honesto, algumas vezes tenho que concordar com eles...

 

- Ah, meu caro, se é comigo ponho na rua!

 

- Com que justificativa? Desacato à autoridade?

 

- Não irmão, digo que eles têm problemas de relacionamento... Simples assim!

 

- Ah! E é bem fácil achar outros para por no lugar, não é? Você tem duas vagas na tua área há mais de três meses, e até onde sei não conseguiu preenchê-las... Hummm!

 

- Isso se ajeita, mais cedo ou mais tarde!

 

- É, se ajeita, vai contratar um loiro no lugar de um moreno que muito provavelmente vai te confrontar também, mais cedo ou mais tarde. O que mesmo estamos ajeitando?

 

- Bom, para isso serve o RH, eles que selecionem candidatos adequados para trabalhar comigo! Já rejeitei uma meia dúzia porque senti que não ia dar certo.

 

- É... até que apareça um cara suficientemente esperto que responda de uma forma que nos pareça adequada... Isso não garante nada, estamos o tempo todo lidando com imprevisibilidade! O mundo mudou, irmão, e muito!

 

- Algumas coisas nunca mudam! Se o cara não é gerenciável ele que não se meta a trabalhar numa empresa!

 

- Ah! Tocou em outro ponto-chave! As empresas estão gestando sua própria concorrência. Olha aí o pessoal de TI! Há trinta anos havia uma meia dúzia de empresas, IBM, Honeywell Bull, Labo, Cobra... lembra? Me diga quantas existem hoje? Milhares! E foram criadas por quem? Por ex-funcionários que nelas trabalhavam, que adquiriram know-how e foram trabalhar por conta própria... Já era, hoje tudo o que um cara precisa para criar uma empresa é um computador e um cérebro. Foi-se o tempo em que as ferramentas de produção eram inacessíveis e caríssimas!

 

- Ok, supondo que você esteja certo na sua argumentação, qual seria a solução?

 

- Não vejo opção a não ser a queda das hierarquias e a distribuição dos lucros...

 

- Fala baixo! Isso é sacrilégio!

 

- Direitos humanos também eram sacrilégio há 50 anos! Irmão, o único sacrilégio é não perceber que está tudo mudando e continuar tentando solucionar as coisas fragmentada e tradicionalmente! Você há de convir que apesar de todas as “novas” soluções que o mercado oferece os problemas não estão diminuindo, estão aumentando!

 

- Ainda bem que estamos almoçando bem longe da empresa. Nem quero pensar se alguém de lá tivesse ouvido essa conversa! Bruno, toma jeito, pense no seu futuro e no da sua família... Desse jeito vão te botar para fora e queimar teu filme!

 

- Simples! Abro uma concorrente e, de quebra, ainda levo comigo os melhores cérebros... Queimar meu filme? Difícil! Os clientes me conhecem! Aliás... que tal? (piscando o olho)



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 09h08
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Conferência Internacional de Redes Sociais

Conferência Internacional sobre Redes Sociais

Promovida por pessoas conectadas à Escola-de-Redes, uma rede de mais de 3 mil pessoas coligadas para estudar, investigar e experimentar redes sociais e desenvolver novas tecnologias de netweaving (articulação e animação de redes), ocorrerá em Curitiba, entre os dias 11 e 13 de março de 2010, a Conferência Internacional sobre Redes Sociais (a sigla é CIRS).

Três grandes palestras, em auditório com capacidade para mais de 1 mil pessoas, constituirão o ponto alto do encontro:

A primeira, O Poder de Organizar sem Organização será ministrada por Clay Shirky, palestrante internacional com grande projeção no momento. Shirky (Nova York) é escritor (seu último livro, ainda inédito no Brasil, tem como subtítulo o tema da palestra), professor de Efeitos Econômicos e Sociais das Tecnologias da Internet e de New Media na New York University.

A segunda, Redes sociais e emergência, será proferida por Steven Johnson (também de Nova York), outro palestrante de renome internacional, autor de 6 best-sellers sobre intersecção entre ciências, tecnologia e experiências pessoais. Seus livros têm influenciado desde a forma de campanhas políticas utilizarem a internet até as idéias mais inovadoras de planejamento urbano, passando pela batalha contra o terrorismo do século 21.

A terceira palestra, O futuro da investigação sobre redes sociais, será ministrada por Pierre Lévy (Ontário), filósofo, escritor e professor do Departamento de Comunicação na Universidade de Ottawa, Canadá e da Universidade Paris VIII. Lévy estuda o conceito de inteligência coletiva e sociedades baseadas no conhecimento. É um pensador mundialmente reconhecido no campo da cibercultura.

Haverá ainda uma discussão, desafiadora e polêmica, sobre a nova educação na sociedade em rede, intitulada Sistemas Sócio-Educativos: Comunidades de Aprendizagem em Rede (Arranjos Educativos Locais). Nessa atividade deverão ser questionados pela raiz não apenas os métodos de ensino ainda utilizados, mas o próprio conceito de educação como ensino, a instituição chamada escola e o papel (anacrônico) do professor. A grande estrela aqui será José Pacheco (Portugal), educador, escritor, mestre em Ciência da Educação. Ele foi o idealizador e coordenador da famosa Escola da Ponte, projeto educativo baseado na autonomia dos estudantes.

O evento também abrigará dois minicursos. O primeiro, Netweaving (Articulação e Animação de Redes), será ministrado por Augusto de Franco (São Paulo), netweaver da Escola-de-Redes e autor de mais de vinte livros sobre desenvolvimento local, capital social, redes sociais e democracia. O segundo minicurso, Introdução à Análise de Redes Sociais, será ministrado por Clara Pelaez Alvarez, analista de sistemas pela PUC de São Paulo, CEO da Neuroredes, empresa brasileira de consultoria em gerenciamento e especialista em Neurometria: mapeamento, desenho e análise de redes de conhecimento.

Para os promotores da Conferência o mais importante, porém, é o Simpósio da Escola de Redes, que ocorrerá nos dois primeiros dias do encontro: uma espécie de Open Space (ou “Desconferência”) onde os membros conectados à Escola-de-Redes vão, eles mesmos, definir a pauta e as atividades que serão desenvolvidas. Mais uma vez aqui a CIRS inova, seguindo a orientação – que tudo indica será predominante nos tempos que chegam – de organizar sem organização.

Uma característica inovadora da CIRS é o seu processo de realização: o evento está sendo divulgado e organizado de modo distribuído. Ou seja, cada pessoa que quiser colaborar pode divulgar o evento como se fosse seu: pode inventar uma marca, fazer e distribuir um folheto ou um cartaz, criar um banner para publicar no seu site, blog ou plataforma de rede na Internet – tudo isso sem a necessidade de pedir autorização, receber orientação e sem precisar entrar em contato com alguém. Patrocinadores ou apoiadores podem colocar a sua marca comercial nas peças publicitárias que veicularem, também sem qualquer necessidade de entendimento prévio. Em suma, como diz o tema da palestra de Clay Shirky, uma das mega-estrelas do evento, a CIRS está testando o poder de organizar sem organização.

Para quem já investiga, estuda ou trabalha com o assunto ou para quem quiser ficar atualizado com o tema, a Conferência Internacional sobre Redes Sociais é uma oportunidade imperdível.

Serviço

Inscrições e mais informações na plataforma interativa da Escola-de-Redes: http://escoladeredes.ning.com

A CIRS – Conferência Internacional sobre Redes Sociais será realizada de 11-13 de março de 2010, no CIETEP (no Centro de Convenções da FIEP - Federação das Indústrias do Estado do Paraná): Avenida Comendador Franco 1341, Jardim Botânico, Curitiba, Paraná, Brasil.

A CIRS, embora organizada autonomamente, compõe a constelação de atividades aninhadas na Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CI-CI 2010): CIETEP, Curitiba 10-13 de março de 2010. Para mais informações sobre a CI-CI 2010 clique no link: www.cici2010.org.br



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 12h16
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A dinâmica do entrelaçamento em sistemas vivos

Encontrei esta matéria interessantíssima no blog

 do DR. Dean Raiden.... Confiram, vale a pena!

Dynamic entanglement in living systems

As I discussed in Entangled Minds:

From the November 3, 2009 issue of Scientific American

Wouldn’t it be nice to be an electron? Then you, too, could take advantage of the marvels of quantum mechanics, such as being in two places at once—very handy for juggling the competing demands of modern life. Alas, physicists have long spoiled the fantasy by saying that quantum mechanics applies only to microscopic things.

Yet that is a myth. In the modern view that has gained traction in the past decade, you don’t see quantum effects in everyday life not because you are big, per se, but because those effects are camouflaged by their own sheer complexity. They are there if you know how to look, and physicists have been realizing that they show up in the macroscopic world more than they thought. “The standard arguments may be too pessimistic as to the survival of quantum effects,” says Nobel laureate physicist Anthony Leggett of the University of Illinois.

...

This work suggests that, contrary to conventional wisdom, entanglement can persist in large, warm systems—including living organisms. “This opens the door to the possibility that entanglement could play a role in, or be a resource for, biological systems,” says Mohan Sarovar of the University of California, Berkeley, who recently found that entanglement may aid photosynthesis [see “Chlorophyll Power,” by Michael Moyer; Scientific American, September 2009].

I predict, based on this trend, that eventually a mainstream neuroscience group will seriously test whether the brains, and then the minds, of identical twins or emotionally bonded couples, are entangled. And they'll find there is such evidence. And then they'll be hailed for discovering telepathy, for the first time. Or, even better (as my colleague Damien Broderick suggests) they'll be hailed for discovering a completely unexpected phenomenon.


Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 13h02
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Manual da contra-história

Estou lendo este livro que é fantástico: "Manual de contra história na anti-modernidade (um manual de sobrevivência para tempos obscuros)" do Eduardo Antonio Bonzatto. Recomendo a todos!

 

Não resisti e resolvi publicar um pequeno trecho:

 

 

 

"O capitalismo é um sistema político-religioso cujo princípio consiste em tirar das pessoas o que elas têm e fazê-las desejar o que não têm – sempre. Outro nome desse princípio é “desenvolvimento econômico”. Estamos aqui em plena teologia da falta e da queda, da insaciabilidade infinita do desejo humano perante os meios materiais finitos de satisfazê-los. A noção recente de “desenvolvimento sustentável” é, no fundo, apenas um modo de tornar sustentável a noção de desenvolvimento, a qual já deveria ter ido para a usina de reciclagem das idéias. Contra o desenvolvimento sustentável, é preciso fazer valer o conceito de suficiência antropológica. Não se trata de auto-suficiência, visto que a vida é diferença, relação com a alteridade, abertura para o exterior em vista da interiorização perpétua, sempre inacabada, desse exterior (o fora nos mantém, somos o fora, diferimos de nós mesmos a cada instante). Mas se trata sim de auto-determinação, de capacidade de determinar a si mesmo, como projeto político, uma vida que seja boa o bastante.

O desenvolvimento é sempre suposto ser uma necessidade antropológica, exatamente porque ele supõe uma antropologia da necessidade: a infinitude subjetiva do homem – seus desejos insaciáveis – em insolúvel contradição com a finitude objetiva do ambiente – a escassez dos recursos. Estamos no coração da economia teológica do Ocidente, como tão bem mostrou Marshal Sahlins; na verdade, na origem de nossa teologia econômica do “desenvolvimento”. Mas essa concepção econômico-teológica da necessidade é, em todos os sentidos, desnecessária. O que precisamos é de um conceito de suficiência, não de necessidade. Contra a teologia da necessidade, uma pragmática da suficiência. Contra a aceleração do crescimento, a aceleração das transferências de riqueza, ou circulação livre das diferenças; contra a teoria economicista do desenvolvimento necessário, a cosmo-pragmática da ação suficiente. A suficiência é uma relação mais livre que a necessidade. As condições suficientes são maiores – mais diversas – que as condições necessárias. Contra o mundo do “tudo é necessário, nada é suficiente”, a favor de um mundo onde “muito pouco é necessário, quase tudo é suficiente”. Quem sabe assim tenhamos um mundo a deixar para nossos filhos."



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 18h19
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O fio de Ariadne

Já faz um tempão que as pessoas me dizem que tenho que escrever um livro. A rigor penso que não há nada de novo que possa ser escrito. As verdades que interessam já foram escritas por muitos com palavras diferentes e em épocas diferentes... Sim, argumentavam, mas talvez você tenha um jeito próprio de dizer essas verdades que pode ser interessante para muitas pessoas!

 

Sim, talvez eu tenha, pensava eu.

 

Cada novo projeto é meio como entrar no labirinto do Minotauro. O “pulo do gato” é saber onde está o Minotauro (a síntese, o que se quer dizer, onde se quer chegar) e aí descobrir o fio de Ariadne, aquele que vai te guiar pelo labirinto e sem o qual o risco de se perder é enorme. Durante todo esse tempo eu sabia onde estava o Minotauro, mas não conseguia encontrar o fio de Ariadne...

 

Até que no domingo, vagabundando pela casa meio indócil e olhando a livrarada, que está espalhada pela casa toda, bati o olho no livro do Suetônio, “Os 12 Césares”, abri o livro e comecei a reler a história de Julio Cesar aí me vem um insight que nem um raio: “não é a história de Julio Cesar, é a história das redes de Julio Cesar!” Febrilmente comecei a desenhar a estrutura da rede de JC e topei com algo incrível! Lá estava o fio de Ariadne: a história como uma dinâmica de redes e não como fatos sequenciados relativos a um indivíduo. Quem fez Julio Cesar foram as redes nas quais Julio Cesar estava envolvido! Tão óbvio que até dói!



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 10h58
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O empoderamento do RH

Até a década de 60 do século XX, seres humanos eram considerados custos de produção. De lá para cá, várias coisas mudaram. Hoje fala-se em talentos, em competências, em desenvolvimento humano, etc. O RH tem buscado formas de atuação que possam promover o bem estar e o desenvolvimento dos indivíduos na organização. O RH está em seu caminho para deixar de ser uma área de apoio e tornar-se estratégico.

 

Mas embora exista essa vontade/necessidade de tornar o RH uma área estratégica, penso que ainda não se encontrou o rumo certo para isso. E talvez o “rumo certo” esteja na percepção de  que empresas são estruturas em rede. Uma empresa é uma rede de pessoas que se comunicam entre si. Sem comunicação interna e externa (com o mercado) a empresa não existe. Nada há de mais essencial numa organização que a comunicação entre as pessoas: tudo emerge daí!

 

A Análise de Redes Sociais (o nome é tenebroso pois confundem-se redes sociais com ONG´s ou com comunidades virtuais!), pode ser o grande mote para empoderar o RH. Redes sociais são as que se conformam quando as pessoas se comunicam entre si, em qualquer situação, não importa se numa empresa, num grupo de amigos ou numa família. Se existem seres humanos trocando informações estamos falando de redes sociais. Essa dinâmica de troca de informações pode ser mapeada e analisada. No caso de uma empresa, um mapeamento dos fluxos de informação pode revelar dados preciosos: como se comunicam as áreas da organização, as pessoas dentro das áreas, os níveis hierárquicos, como se dá a comunicação entre a empresa e o mercado (parceiros, fornecedores e clientes), etc?

 

Desenvolvi um método de ARS ao qual chamei Neurometria. O nome vem de uma analogia com o funcionamento do cérebro humano: temos 100 bilhões de neurônios que se conectam uns aos outros criando uma enorme teia. Nossas capacidades de pensamento abstrato e criatividade emergem dessas conexões neurais. Da mesma forma, uma organização é uma mente coletiva que emerge da conexão entre as pessoas que a compõem. Quanto maior a conectividade entre as pessoas mais capacidade criativa tem a organização e, portanto, maiores as chances da organização ser bem sucedida e liderar o mercado.

 

Uma Neurometria fornece uma visão única e global da empresa é como uma “tomografia cerebral” aplicada à mente coletiva da organização. Após o desenho e análise das redes organizacionais, geralmente há a demanda de ações que possam “sanar” os problemas percebidos na Neurometria, que podem ser falta de comunicação entre áreas que deveriam estar se comunicando, comunicações “emperradas” entre os níveis hierárquicos, pessoas isoladas, centralização da comunicação em poucos nodos e assim por diante. Aí é preciso pensar com calma e propor ações personalizadas de acordo com o contexto e história de cada empresa. Uma vez implementadas estas ações, efetua-se outra Neurometria que comparada com a primeira nos dá uma métrica: descobrimos se as ações implementadas foram eficazes.

 

Acredito que o empoderamento do RH vai acontecer com essa percepção de empresas como redes. Empresas são redes das quais emergem as estratégias e processos da organização. O que é fundamental numa organização não são seus processos e estratégias de mercado, estes são apenas fenômenos de emergência: emergem das redes de pessoas que compõem a organização. A identidade de uma empresa tem a ver com sua configuração relacional.

 

Penso que estão aí tanto a visão como as ferramentas para empoderar o RH. Aliás, é mais que tempo de mudar o conceito de Recursos Humanos para Relações Humanas (algumas empresas já estão fazendo isso, inclusive).



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 10h48
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Neuroredes

O cérebro humano tem uns 100 bilhões de neurônios. Cada um deles tem a capacidade de se conectar (através das sinapses) a pelo menos outros dez mil outros neurônios. Estas conexões formam uma complexa rede que está o tempo todo se modificando, criando novas conexões ou eliminando as que existem. O cérebro é uma estrutura com padrão em rede, extremamente plástico e flexível. Cada cérebro é único, não existem dois iguais.

 

Da mesma forma, os quase 7 bilhões de seres humanos que vivem neste planeta, também conformam uma estrutura em rede. Conectamo-nos uns aos outros através da troca de informações. A humanidade também pode ser compreendida como uma imensa e flexível mente coletiva, uma neurorede-mãe.

 

Cada pessoa recebe a informação, a processa e a devolve novamente à rede. É dessa dinamica de troca que emerge a sociedade. Somos uma sociedade porque nos comunicamos uns com os outros.

 

Essa visão da sociedade como rede é relativamente recente e tem dado origem ao que está sendo considerado como um novo ramo de pesquisa científica: a ciência das redes. Esta ciência se propõe a estudar as estruturas e dinâmicas das redes sociais.

 

O estudo das estruturas sociais utiliza várias tecnologias, softwares capazes de calcular e desenhar as estruturas das redes. Já o estudo da dinâmica das redes é feito, basicamente, por observação e intuição. Lamentavelmente, há uma separação entre pesquisadores que estudam as estruturas e pesquisadores que estudam as dinâmicas das redes. Parece-me evidente que as duas coisas, em hipótese alguma, poderiam ser separadas.

 

Outra questão que considero bastante importante é que a ciência das redes deveria ser multi-disciplinar, agregando conhecimentos de neurociência, ciência da complexidade, física quântica, sociologia, antropologia e filosofia, no mínimo! É na ciência das redes que todos os saberes podem se juntar. Já é tempo de criarmos uma ciência mais holística e sistêmica.

 

Outros posts com mais informações sobre este tema virão a seguir.

 

 

 



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 12h42
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Gatos e universos paralelos

Erwin Schorodinger (1935), um físico quântico, propôs o seguinte experimento conceitual para explicar a idéia de “superposição quântica”  que é a combinação de todos os estados possíveis de um dado sistema:

 

Imaginemos uma caixa opaca e hermeticamente fechada. Dentro dessa caixa há um gato, um vidro de veneno e uma pequena quantidade de uma substância radioativa acoplada a esse vidro. No decorrer de uma hora um dos átomos dessa substância pode decair ou não. Se o átomo decai ele vai liberar o veneno do vidro e matar o gato. Neste caso, o estado do gato é ao mesmo tempo vivo e morto. Paradoxalmente, as duas probabilidades se superpõem. Só se abrirmos a caixa a realidade do gato vivo ou morto será criada.

 

Trazendo esta idéia para a nossas vidas: a cada minuto n probabilidades de realidade existem em potencial, como funções de onda. Uma realidade específica será criada, dependendo das nossas escolhas. Quando escolhemos colapsamos a função de onda e criamos uma determinada realidade. São nossas escolhas individuais que criam o mundo que nos cerca. É como se vivessemos num enorme campo de potencial quântico e esse campo reage a nossas escolhas.

 

Para “complicar” um pouco mais, existe a teoria de que cada escolha possível cria um determinado universo. Ou seja, as nossas escolhas criam este universo e as “não-escolhas” criam universos paralelos...Então, existiriam universos paralelos com variações infimas e também completamente diferentes! Esta idéia é muito intrigante pois diz que existimos concomitantemente em muitos universos.

 

Interessante observar como as postulações da “nova física” (80 anos!) e a neurociência acabam com as noções de mundo material e sólido às quais nos habituamos há milênios. Na verdade, precisamos urgentemente de uma nova racionalidade para entender o mundo!



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 11h45
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O princípio da coerência

As mesmas “verdades” têm sido repetidas exaustivamente neste planeta há milênios, de formas diferentes, com palavras diferentes de acordo com a época. Não me refiro às verdades científicas que mudam ao longo do tempo e sim às verdades sobre o posicionamento do ser humano frente à sociedade e a outros seres humanos.

 

Se perguntassemos a qualquer pessoa no rua como deveria ser o mundo, provavelmente a resposta viria rapidamente: deveríamos viver em paz amando-nos uns aos outros. Então, porque não é assim? Porque nos matamos e nos odiamos quando todos sabemos que o correto seria que nos amassemos?

 

Em todos estes milênios continuamos a ouvir “interessadíssimos” as mesmas histórias e contos ao longo das eras. Todos já conhecemos estas verdades, só não somos coerentes com elas. Talvez nosso maior problema seja a hipocrisia social: a incoerência entre discurso e ação.

 

De discursos bonitos e bem estruturados este mundo está cheio. Qualquer um que domine um idioma pode criar um discurso brilhante, pleno de sabedoria. O problema está na coerência das ações alinhadas ao discurso. Que o digam os políticos com seus discursos bombásticos e vazios... Que o digam as pessoas que assistem a seus cultos religiosos e passam cegas pelos mendigos na rua...  Que o digam as pessoas que negam a um amigo um empréstimo em dinheiro, pois têm medo que ele não possa pagá-los de volta...

 

Sob essa perspectiva, nada há de novo sob o céu da Terra. Nada mais há a aprender. Todos já sabemos como a coisa deve funcionar... Então, por que é que não funciona? Falta coerência!



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 11h03
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Sobre o poder

Na natureza, quaisquer que sejam as espécies observadas sempre existem indivíduos dominantes em todas as coletividades. Na sociedade humana a estruturação hierárquica está presente em qualquer tipo de organização. Por que os grupos humanos se estruturam dessa forma?

 

Hierarquia, do grego “hierarchia”. “Hier” é um elemento de composição que vem de “Hierós” que significa sagrado, santo. Então, hierarquia pode ser definida como uma escala sagrada, intocável, ungida pelo divino...

 

Segundo o Aurélio:

1.    Ordem e subordinação dos poderes eclesiásticos;

2.    Graduação da autoridade correspondente às várias categorias de funcionários públicos;

3.    Série contínua de graus ou escalões em ordem crescente ou decrescente.

 

Antes do aparecimento das nações, segundo Hirshleifer (1995), as sociedades humanas alternavam fases de estruturação amórfica  e anárquica.  Naquela época, não havia armazenamento de recursos, pois estes eram consumidos à medida que os grupos se moviam. Também não era necessária uma defesa organizada para prevenir roubos, pois as pessoas tinham pouquíssimos pertences. A solução dos conflitos internos era relativamente simples, uma vez que os grupos eram pequenos com algumas dezenas de pessoas e a maioria aparentada.

 

Há, mais ou menos, dez mil anos a agricultura e a domesticação de animais mudaram esse quadro. As sociedades tornaram-se sedentárias e começaram a produzir e a armazenar recursos excedentes causando um profundo impacto nas estruturas sociais. Foi nessa época que surgiu a idéia e a prática da propriedade privada bem como a especialização (reis e burocratas, soldados profissionais, sacerdotes, escribas e agricultores) e as organizações hierárquicas. A solução dos conflitos tornou-se, também, mais complexa levando às práticas judiciárias (a maneira pela qual se arbitram os danos e as responsabilidades), que segundo Foucault estabelecem a relação entre os homens e a verdade.

 

Desde tempos imemoriais a construção do conhecimento, mais que a geração de riquezas e a utilização da força, tem sido o principal instrumento de exercício de poder. Como já dizia Nietzsche, o conhecimento foi inventado. No mundo antigo, a justificativa que um indivíduo tinha para tornar-se chefe dos outros era o conhecimento da comunicação com os deuses. Esse conhecimento o legitimava como líder político e sacerdote: as religiões institucionalizadas forneciam justificativas ideológicas.

 

O poder é relacional, para que ele seja exercido deve existir uma relação de complementaridade entre as partes. Os poderes não estão localizados em nenhum ponto específico da estrutura social. Funcionam como uma rede de dispositivos ou mecanismos a que nada ou ninguém escapa. Segundo Foucault, o poder não é algo que se detém como uma coisa, como uma propriedade que se possui ou não. Não existe de um lado os que têm poder e de outro os que são dele alijados. O poder não existe; existem sim práticas e relações de poder que se disseminam por toda a estrutura social.

 

Entendo que a prática fundamental para o exercício do poder é o controle da geração e da disseminação do conhecimento.



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 20h37
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Inimigos meus

Declarei guerra total a dois inimigos que me atormentam desde que nasci: o medo e o ego.

 

Meus medos são aqueles que me dizem que o universo não é um lugar seguro, que posso ser ferida ou ludibriada, que posso perder a vida numa esquina qualquer... Que as pessoas podem me rejeitar, me roubar, me ameaçar, me caluniar... Meus medos me dizem que preciso tomar um enorme cuidado nas relações com os outros. Que qualquer um pode, potencialmente me ferir...

 

Meu ego se arrepia quando me sinto ameaçada e o pior é que na maioria das vezes nem sei exatamente o que me ameaça! Fecho a carranca, cruzos os braços e expulso aquele ser ameaçador do meu mundo. Ou, pelo menos, penso que o faço... porque eles sempre voltam com outros rostos e em outras circunstâncias!

 

Este planeta é bom pra quem tem medo. Desde pequenos somos educados a desenvolver um senso apurado de perigo e sistemas particulares e sofisticados de defesa... Como diz Robert Harré temos duas partes: uma que é animal e sente medo e a outra que é divina e ama. Só temos um inimigo: é nossa escolha pela parte animal. É nossa escolha viver com medo, lambendo as feridas dos egos “maltratados”...

 

Um novo mundo só pode surgir quando os medos e os egos estiverem fora do páreo. Fácil? De jeito nenhum! Temos que mudar estruturas neurais que têm milênios de existência. Impossível? Jamais! Vivemos num mundo de coisas mais ou menos prováveis, nunca impossíveis.

 

Nossos problemas não são a violência, as guerras, o capitalismo selvagem nem a “sacanagem” generalizada... Estes são apenas efeitos decorrentes dos nossos medos. Nosso único e desafiador problema é o MEDO que anda de mãos dadas com o EGO.

 

Somos todos apenas seres humanos medrosos...



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 12h07
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