Livre Pensar


A dinâmica do entrelaçamento em sistemas vivos

Encontrei esta matéria interessantíssima no blog

 do DR. Dean Raiden.... Confiram, vale a pena!

Dynamic entanglement in living systems

As I discussed in Entangled Minds:

From the November 3, 2009 issue of Scientific American

Wouldn’t it be nice to be an electron? Then you, too, could take advantage of the marvels of quantum mechanics, such as being in two places at once—very handy for juggling the competing demands of modern life. Alas, physicists have long spoiled the fantasy by saying that quantum mechanics applies only to microscopic things.

Yet that is a myth. In the modern view that has gained traction in the past decade, you don’t see quantum effects in everyday life not because you are big, per se, but because those effects are camouflaged by their own sheer complexity. They are there if you know how to look, and physicists have been realizing that they show up in the macroscopic world more than they thought. “The standard arguments may be too pessimistic as to the survival of quantum effects,” says Nobel laureate physicist Anthony Leggett of the University of Illinois.

...

This work suggests that, contrary to conventional wisdom, entanglement can persist in large, warm systems—including living organisms. “This opens the door to the possibility that entanglement could play a role in, or be a resource for, biological systems,” says Mohan Sarovar of the University of California, Berkeley, who recently found that entanglement may aid photosynthesis [see “Chlorophyll Power,” by Michael Moyer; Scientific American, September 2009].

I predict, based on this trend, that eventually a mainstream neuroscience group will seriously test whether the brains, and then the minds, of identical twins or emotionally bonded couples, are entangled. And they'll find there is such evidence. And then they'll be hailed for discovering telepathy, for the first time. Or, even better (as my colleague Damien Broderick suggests) they'll be hailed for discovering a completely unexpected phenomenon.


Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 13h02
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Manual da contra-história

Estou lendo este livro que é fantástico: "Manual de contra história na anti-modernidade (um manual de sobrevivência para tempos obscuros)" do Eduardo Antonio Bonzatto. Recomendo a todos!

 

Não resisti e resolvi publicar um pequeno trecho:

 

 

 

"O capitalismo é um sistema político-religioso cujo princípio consiste em tirar das pessoas o que elas têm e fazê-las desejar o que não têm – sempre. Outro nome desse princípio é “desenvolvimento econômico”. Estamos aqui em plena teologia da falta e da queda, da insaciabilidade infinita do desejo humano perante os meios materiais finitos de satisfazê-los. A noção recente de “desenvolvimento sustentável” é, no fundo, apenas um modo de tornar sustentável a noção de desenvolvimento, a qual já deveria ter ido para a usina de reciclagem das idéias. Contra o desenvolvimento sustentável, é preciso fazer valer o conceito de suficiência antropológica. Não se trata de auto-suficiência, visto que a vida é diferença, relação com a alteridade, abertura para o exterior em vista da interiorização perpétua, sempre inacabada, desse exterior (o fora nos mantém, somos o fora, diferimos de nós mesmos a cada instante). Mas se trata sim de auto-determinação, de capacidade de determinar a si mesmo, como projeto político, uma vida que seja boa o bastante.

O desenvolvimento é sempre suposto ser uma necessidade antropológica, exatamente porque ele supõe uma antropologia da necessidade: a infinitude subjetiva do homem – seus desejos insaciáveis – em insolúvel contradição com a finitude objetiva do ambiente – a escassez dos recursos. Estamos no coração da economia teológica do Ocidente, como tão bem mostrou Marshal Sahlins; na verdade, na origem de nossa teologia econômica do “desenvolvimento”. Mas essa concepção econômico-teológica da necessidade é, em todos os sentidos, desnecessária. O que precisamos é de um conceito de suficiência, não de necessidade. Contra a teologia da necessidade, uma pragmática da suficiência. Contra a aceleração do crescimento, a aceleração das transferências de riqueza, ou circulação livre das diferenças; contra a teoria economicista do desenvolvimento necessário, a cosmo-pragmática da ação suficiente. A suficiência é uma relação mais livre que a necessidade. As condições suficientes são maiores – mais diversas – que as condições necessárias. Contra o mundo do “tudo é necessário, nada é suficiente”, a favor de um mundo onde “muito pouco é necessário, quase tudo é suficiente”. Quem sabe assim tenhamos um mundo a deixar para nossos filhos."



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 18h19
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O fio de Ariadne

Já faz um tempão que as pessoas me dizem que tenho que escrever um livro. A rigor penso que não há nada de novo que possa ser escrito. As verdades que interessam já foram escritas por muitos com palavras diferentes e em épocas diferentes... Sim, argumentavam, mas talvez você tenha um jeito próprio de dizer essas verdades que pode ser interessante para muitas pessoas!

 

Sim, talvez eu tenha, pensava eu.

 

Cada novo projeto é meio como entrar no labirinto do Minotauro. O “pulo do gato” é saber onde está o Minotauro (a síntese, o que se quer dizer, onde se quer chegar) e aí descobrir o fio de Ariadne, aquele que vai te guiar pelo labirinto e sem o qual o risco de se perder é enorme. Durante todo esse tempo eu sabia onde estava o Minotauro, mas não conseguia encontrar o fio de Ariadne...

 

Até que no domingo, vagabundando pela casa meio indócil e olhando a livrarada, que está espalhada pela casa toda, bati o olho no livro do Suetônio, “Os 12 Césares”, abri o livro e comecei a reler a história de Julio Cesar aí me vem um insight que nem um raio: “não é a história de Julio Cesar, é a história das redes de Julio Cesar!” Febrilmente comecei a desenhar a estrutura da rede de JC e topei com algo incrível! Lá estava o fio de Ariadne: a história como uma dinâmica de redes e não como fatos sequenciados relativos a um indivíduo. Quem fez Julio Cesar foram as redes nas quais Julio Cesar estava envolvido! Tão óbvio que até dói!



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 10h58
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O empoderamento do RH

Até a década de 60 do século XX, seres humanos eram considerados custos de produção. De lá para cá, várias coisas mudaram. Hoje fala-se em talentos, em competências, em desenvolvimento humano, etc. O RH tem buscado formas de atuação que possam promover o bem estar e o desenvolvimento dos indivíduos na organização. O RH está em seu caminho para deixar de ser uma área de apoio e tornar-se estratégico.

 

Mas embora exista essa vontade/necessidade de tornar o RH uma área estratégica, penso que ainda não se encontrou o rumo certo para isso. E talvez o “rumo certo” esteja na percepção de  que empresas são estruturas em rede. Uma empresa é uma rede de pessoas que se comunicam entre si. Sem comunicação interna e externa (com o mercado) a empresa não existe. Nada há de mais essencial numa organização que a comunicação entre as pessoas: tudo emerge daí!

 

A Análise de Redes Sociais (o nome é tenebroso pois confundem-se redes sociais com ONG´s ou com comunidades virtuais!), pode ser o grande mote para empoderar o RH. Redes sociais são as que se conformam quando as pessoas se comunicam entre si, em qualquer situação, não importa se numa empresa, num grupo de amigos ou numa família. Se existem seres humanos trocando informações estamos falando de redes sociais. Essa dinâmica de troca de informações pode ser mapeada e analisada. No caso de uma empresa, um mapeamento dos fluxos de informação pode revelar dados preciosos: como se comunicam as áreas da organização, as pessoas dentro das áreas, os níveis hierárquicos, como se dá a comunicação entre a empresa e o mercado (parceiros, fornecedores e clientes), etc?

 

Desenvolvi um método de ARS ao qual chamei Neurometria. O nome vem de uma analogia com o funcionamento do cérebro humano: temos 100 bilhões de neurônios que se conectam uns aos outros criando uma enorme teia. Nossas capacidades de pensamento abstrato e criatividade emergem dessas conexões neurais. Da mesma forma, uma organização é uma mente coletiva que emerge da conexão entre as pessoas que a compõem. Quanto maior a conectividade entre as pessoas mais capacidade criativa tem a organização e, portanto, maiores as chances da organização ser bem sucedida e liderar o mercado.

 

Uma Neurometria fornece uma visão única e global da empresa é como uma “tomografia cerebral” aplicada à mente coletiva da organização. Após o desenho e análise das redes organizacionais, geralmente há a demanda de ações que possam “sanar” os problemas percebidos na Neurometria, que podem ser falta de comunicação entre áreas que deveriam estar se comunicando, comunicações “emperradas” entre os níveis hierárquicos, pessoas isoladas, centralização da comunicação em poucos nodos e assim por diante. Aí é preciso pensar com calma e propor ações personalizadas de acordo com o contexto e história de cada empresa. Uma vez implementadas estas ações, efetua-se outra Neurometria que comparada com a primeira nos dá uma métrica: descobrimos se as ações implementadas foram eficazes.

 

Acredito que o empoderamento do RH vai acontecer com essa percepção de empresas como redes. Empresas são redes das quais emergem as estratégias e processos da organização. O que é fundamental numa organização não são seus processos e estratégias de mercado, estes são apenas fenômenos de emergência: emergem das redes de pessoas que compõem a organização. A identidade de uma empresa tem a ver com sua configuração relacional.

 

Penso que estão aí tanto a visão como as ferramentas para empoderar o RH. Aliás, é mais que tempo de mudar o conceito de Recursos Humanos para Relações Humanas (algumas empresas já estão fazendo isso, inclusive).



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 10h48
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Neuroredes

O cérebro humano tem uns 100 bilhões de neurônios. Cada um deles tem a capacidade de se conectar (através das sinapses) a pelo menos outros dez mil outros neurônios. Estas conexões formam uma complexa rede que está o tempo todo se modificando, criando novas conexões ou eliminando as que existem. O cérebro é uma estrutura com padrão em rede, extremamente plástico e flexível. Cada cérebro é único, não existem dois iguais.

 

Da mesma forma, os quase 7 bilhões de seres humanos que vivem neste planeta, também conformam uma estrutura em rede. Conectamo-nos uns aos outros através da troca de informações. A humanidade também pode ser compreendida como uma imensa e flexível mente coletiva, uma neurorede-mãe.

 

Cada pessoa recebe a informação, a processa e a devolve novamente à rede. É dessa dinamica de troca que emerge a sociedade. Somos uma sociedade porque nos comunicamos uns com os outros.

 

Essa visão da sociedade como rede é relativamente recente e tem dado origem ao que está sendo considerado como um novo ramo de pesquisa científica: a ciência das redes. Esta ciência se propõe a estudar as estruturas e dinâmicas das redes sociais.

 

O estudo das estruturas sociais utiliza várias tecnologias, softwares capazes de calcular e desenhar as estruturas das redes. Já o estudo da dinâmica das redes é feito, basicamente, por observação e intuição. Lamentavelmente, há uma separação entre pesquisadores que estudam as estruturas e pesquisadores que estudam as dinâmicas das redes. Parece-me evidente que as duas coisas, em hipótese alguma, poderiam ser separadas.

 

Outra questão que considero bastante importante é que a ciência das redes deveria ser multi-disciplinar, agregando conhecimentos de neurociência, ciência da complexidade, física quântica, sociologia, antropologia e filosofia, no mínimo! É na ciência das redes que todos os saberes podem se juntar. Já é tempo de criarmos uma ciência mais holística e sistêmica.

 

Outros posts com mais informações sobre este tema virão a seguir.

 

 

 



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 12h42
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Gatos e universos paralelos

Erwin Schorodinger (1935), um físico quântico, propôs o seguinte experimento conceitual para explicar a idéia de “superposição quântica”  que é a combinação de todos os estados possíveis de um dado sistema:

 

Imaginemos uma caixa opaca e hermeticamente fechada. Dentro dessa caixa há um gato, um vidro de veneno e uma pequena quantidade de uma substância radioativa acoplada a esse vidro. No decorrer de uma hora um dos átomos dessa substância pode decair ou não. Se o átomo decai ele vai liberar o veneno do vidro e matar o gato. Neste caso, o estado do gato é ao mesmo tempo vivo e morto. Paradoxalmente, as duas probabilidades se superpõem. Só se abrirmos a caixa a realidade do gato vivo ou morto será criada.

 

Trazendo esta idéia para a nossas vidas: a cada minuto n probabilidades de realidade existem em potencial, como funções de onda. Uma realidade específica será criada, dependendo das nossas escolhas. Quando escolhemos colapsamos a função de onda e criamos uma determinada realidade. São nossas escolhas individuais que criam o mundo que nos cerca. É como se vivessemos num enorme campo de potencial quântico e esse campo reage a nossas escolhas.

 

Para “complicar” um pouco mais, existe a teoria de que cada escolha possível cria um determinado universo. Ou seja, as nossas escolhas criam este universo e as “não-escolhas” criam universos paralelos...Então, existiriam universos paralelos com variações infimas e também completamente diferentes! Esta idéia é muito intrigante pois diz que existimos concomitantemente em muitos universos.

 

Interessante observar como as postulações da “nova física” (80 anos!) e a neurociência acabam com as noções de mundo material e sólido às quais nos habituamos há milênios. Na verdade, precisamos urgentemente de uma nova racionalidade para entender o mundo!



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 11h45
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O princípio da coerência

As mesmas “verdades” têm sido repetidas exaustivamente neste planeta há milênios, de formas diferentes, com palavras diferentes de acordo com a época. Não me refiro às verdades científicas que mudam ao longo do tempo e sim às verdades sobre o posicionamento do ser humano frente à sociedade e a outros seres humanos.

 

Se perguntassemos a qualquer pessoa no rua como deveria ser o mundo, provavelmente a resposta viria rapidamente: deveríamos viver em paz amando-nos uns aos outros. Então, porque não é assim? Porque nos matamos e nos odiamos quando todos sabemos que o correto seria que nos amassemos?

 

Em todos estes milênios continuamos a ouvir “interessadíssimos” as mesmas histórias e contos ao longo das eras. Todos já conhecemos estas verdades, só não somos coerentes com elas. Talvez nosso maior problema seja a hipocrisia social: a incoerência entre discurso e ação.

 

De discursos bonitos e bem estruturados este mundo está cheio. Qualquer um que domine um idioma pode criar um discurso brilhante, pleno de sabedoria. O problema está na coerência das ações alinhadas ao discurso. Que o digam os políticos com seus discursos bombásticos e vazios... Que o digam as pessoas que assistem a seus cultos religiosos e passam cegas pelos mendigos na rua...  Que o digam as pessoas que negam a um amigo um empréstimo em dinheiro, pois têm medo que ele não possa pagá-los de volta...

 

Sob essa perspectiva, nada há de novo sob o céu da Terra. Nada mais há a aprender. Todos já sabemos como a coisa deve funcionar... Então, por que é que não funciona? Falta coerência!



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 11h03
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Sobre o poder

Na natureza, quaisquer que sejam as espécies observadas sempre existem indivíduos dominantes em todas as coletividades. Na sociedade humana a estruturação hierárquica está presente em qualquer tipo de organização. Por que os grupos humanos se estruturam dessa forma?

 

Hierarquia, do grego “hierarchia”. “Hier” é um elemento de composição que vem de “Hierós” que significa sagrado, santo. Então, hierarquia pode ser definida como uma escala sagrada, intocável, ungida pelo divino...

 

Segundo o Aurélio:

1.    Ordem e subordinação dos poderes eclesiásticos;

2.    Graduação da autoridade correspondente às várias categorias de funcionários públicos;

3.    Série contínua de graus ou escalões em ordem crescente ou decrescente.

 

Antes do aparecimento das nações, segundo Hirshleifer (1995), as sociedades humanas alternavam fases de estruturação amórfica  e anárquica.  Naquela época, não havia armazenamento de recursos, pois estes eram consumidos à medida que os grupos se moviam. Também não era necessária uma defesa organizada para prevenir roubos, pois as pessoas tinham pouquíssimos pertences. A solução dos conflitos internos era relativamente simples, uma vez que os grupos eram pequenos com algumas dezenas de pessoas e a maioria aparentada.

 

Há, mais ou menos, dez mil anos a agricultura e a domesticação de animais mudaram esse quadro. As sociedades tornaram-se sedentárias e começaram a produzir e a armazenar recursos excedentes causando um profundo impacto nas estruturas sociais. Foi nessa época que surgiu a idéia e a prática da propriedade privada bem como a especialização (reis e burocratas, soldados profissionais, sacerdotes, escribas e agricultores) e as organizações hierárquicas. A solução dos conflitos tornou-se, também, mais complexa levando às práticas judiciárias (a maneira pela qual se arbitram os danos e as responsabilidades), que segundo Foucault estabelecem a relação entre os homens e a verdade.

 

Desde tempos imemoriais a construção do conhecimento, mais que a geração de riquezas e a utilização da força, tem sido o principal instrumento de exercício de poder. Como já dizia Nietzsche, o conhecimento foi inventado. No mundo antigo, a justificativa que um indivíduo tinha para tornar-se chefe dos outros era o conhecimento da comunicação com os deuses. Esse conhecimento o legitimava como líder político e sacerdote: as religiões institucionalizadas forneciam justificativas ideológicas.

 

O poder é relacional, para que ele seja exercido deve existir uma relação de complementaridade entre as partes. Os poderes não estão localizados em nenhum ponto específico da estrutura social. Funcionam como uma rede de dispositivos ou mecanismos a que nada ou ninguém escapa. Segundo Foucault, o poder não é algo que se detém como uma coisa, como uma propriedade que se possui ou não. Não existe de um lado os que têm poder e de outro os que são dele alijados. O poder não existe; existem sim práticas e relações de poder que se disseminam por toda a estrutura social.

 

Entendo que a prática fundamental para o exercício do poder é o controle da geração e da disseminação do conhecimento.



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 20h37
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Inimigos meus

Declarei guerra total a dois inimigos que me atormentam desde que nasci: o medo e o ego.

 

Meus medos são aqueles que me dizem que o universo não é um lugar seguro, que posso ser ferida ou ludibriada, que posso perder a vida numa esquina qualquer... Que as pessoas podem me rejeitar, me roubar, me ameaçar, me caluniar... Meus medos me dizem que preciso tomar um enorme cuidado nas relações com os outros. Que qualquer um pode, potencialmente me ferir...

 

Meu ego se arrepia quando me sinto ameaçada e o pior é que na maioria das vezes nem sei exatamente o que me ameaça! Fecho a carranca, cruzos os braços e expulso aquele ser ameaçador do meu mundo. Ou, pelo menos, penso que o faço... porque eles sempre voltam com outros rostos e em outras circunstâncias!

 

Este planeta é bom pra quem tem medo. Desde pequenos somos educados a desenvolver um senso apurado de perigo e sistemas particulares e sofisticados de defesa... Como diz Robert Harré temos duas partes: uma que é animal e sente medo e a outra que é divina e ama. Só temos um inimigo: é nossa escolha pela parte animal. É nossa escolha viver com medo, lambendo as feridas dos egos “maltratados”...

 

Um novo mundo só pode surgir quando os medos e os egos estiverem fora do páreo. Fácil? De jeito nenhum! Temos que mudar estruturas neurais que têm milênios de existência. Impossível? Jamais! Vivemos num mundo de coisas mais ou menos prováveis, nunca impossíveis.

 

Nossos problemas não são a violência, as guerras, o capitalismo selvagem nem a “sacanagem” generalizada... Estes são apenas efeitos decorrentes dos nossos medos. Nosso único e desafiador problema é o MEDO que anda de mãos dadas com o EGO.

 

Somos todos apenas seres humanos medrosos...



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 12h07
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Sistemas de Geração de Riquezas

 

Ao longo da história os sistemas de geração de riquezas têm sofrido mudanças muito significativas. Nossos ancestrais no Paleolítico não tinham idéia de que poderia existir algo chamado riqueza. Lidava-se com escassez e não com abundância.  Mas, ainda assim, considero que foi nessa época que todas as sementes que germinariam ao longo da história foram plantadas.

 

É nesse momento, por exemplo, que a especialização e a ascendência de uns sobre outros começa a se definir. É também o momento em que o conhecimento humano começa a ser construído e a ser apropriado por uns poucos. Acho que o primeiro conhecimento humano cosntruído socialmente foi o conhecimento do divino. Em determinado momento, alguém disse que conseguia ter uma relação direta com as divindades e/ou o mundo dos espíritos. E, parece, foi tão convincente que todos concordaram... Foi, portanto, como tudo o mais, uma construção de verdade coletiva. Alguém disse que conseguia se comunicar com o divino e todos, a partir daí passaram a agir como se isso fosse uma verdade. E tornou-se, de fato, uma verdade, que perdura até hoje... Durante milênios, temos dependido de intermediários (xamãs, padres, pastores, rabis, etc) para a interpretação das vontades divinas.

 

Quando nos fixamos à terra, o conhecimento do divino, atribuído a uns poucos, estabeleceu profundas diferenças sociais. O governante governava ungido pelas divindades (através de seus sacerdotes) e portanto tinha direito a mais recursos que todos os outros. Neste momento surge outro conceito novo, antes desconhecido: a abundância. Esta realidade da abundância apareceu com o conhecimento da agricultura, da domesticação de animais e do artesanato. Acreditava-se que todos estes conhecimentos tinham sido dados aos homens pelas divindades e, portanto, estavam sujeitos a elas. As relações relativamente igualitárias do Paleolítico deram origem às relações desiguais de amos e escravos. Este tipo de relação social foi dominante no mundo antigo até a queda do Império Romano.

 

Com as invasões bárbaras, Roma desmorona e o Império se fragmenta em milhares de feudos, cada um com seu governante e suas leis. É neste momento que surge outro tipo de relação social: servos e amos. A posição social dos servos era melhor que a dos escravos. É também nesta época, com a ascenção da Igreja Católica, que as milhares de divindades do mundo antigo são substituídas por apenas uma: Deus.  

 

O desenvolvimento das tecnologias de navegação permitiu-nos “descobrir” outras terras, outros recursos e outros produtos comercializáveis. O comércio se desenvolve e começa aqui a acumulação de capital que mais tarde dará origem à revolução industrial e a um novo sistema de geração de riquezas.

 

Novas tecnologias como o tear mecânico, a locomotiva, a eletricidade, etc, alavancaram um novo sistema de geração de riquezas: a produção e comercialização em série de bens tangíveis. A chegada da revolução industrial mais uma vez mudou a forma de relacionamento social: surgiram os assalariados e as relações patrão/empregado. É evidente que um empregado/funcionário está em melhores condições do que estavam os servos ou os escravos, mas em última instância, o empregado ainda continua, como os servos e escravos, trabalhando para gerar um lucro ao qual ele não terá acesso.

 

Uma das principais características da sociedade industrial é que os capitalistas detêm os meios de produção. As complexas linhas de montagem para a industrialização de produtos tangíveis estão bem longe do alcance das pessoas comuns, pois demandam grandes aportes de capital.

 

Com o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, uma outra sociedade está nascendo: a sociedade em rede. Um outro sistema de geração de riquezas, baseado em conhecimento e símbolos e que gera produtos intangíveis está tomando forma. Nesta nova economia, os meios de produção se tornaram acessíveis à maioria das pessoas: os computadores. Este é um fenômeno sociológico sem precedentes na história humana. Comunicações instantâneas derrubando as barreiras do espaço e uma grande quantidade de informações estão disponíveis a qualquer um, provocando o que tem sido chamado de “empoderamento social”. As informações não podem ser mais controladas por uns poucos, como estão descobrindo nossos governos e políticos... Qualquer um pode expor suas opiniões, participar de comunidades de pessoas com interesses afins,  criar formas novas de gerar recursos, ser fonte de notícias e aprender sozinho qualquer coisa que queira. Isso tem mudado o jogo profundamente. Um exemplo: um garoto de 16 anos (Daniel Burd), nos EUA, descobriu, pesquisando na internet, que existem dois tipos de bactérias (Sphingomonas e Pseudômonas) muito raras na natureza que são capazes de acelerar (e muito!) o processo de decomposição do plástico polietileno, aquele derivado do gás e petróleo usado na confecção de sacolas plásticas, por exemplo. O processo natural de decomposição do plástico na natureza leva 400 anos, essas bactérias o decompõem em seis semanas e sem gerar nenhuma substância nociva ao meio ambiente ou à saúde humana.

 

Pois é, um garoto desbancou todos os laboratórios, técnicos, titulados acadêmicos, órgãos governamentais e os milhares de pessoas em torno do planeta que estão sendo pagos para lidar com esse problema. Notável, não? Isso é que se chama empoderamento social: qualquer um pode! Pela primeira vez na história humana a informação está acessível a todos e não pode ser controlada. Existe alguma dúvida que surgirá um outro tipo de relacionamento social que vai substituir o patrão/empregado?



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 09h53
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O padrão em rede

Tudo no universo tem padrão em rede... Nada existe isoladamente, tudo se relaciona com tudo. E mais, esse relacionamento independe do espaço-tempo. Explico: segundo a física quântica as partículas que surgem juntas se mantém entrelaçadas. Isso quer dizer que se uma tem uma mudança de movimento, a outra (que pode estar físicamente muito distante) também muda no exato instante em que a “irmã” mudou. Não é necessária a proximidade física para mudar nada, a comunicação é não-local!

 

Se o nosso universo realmente teve um início, pressupõe-se que tudo está entrelaçado já que todas as partículas surgiram juntas. Nesse caso, nada existe isoladamente. A nossa compreensão das coisas como isoladas é apenas um jeito de raciocinar ao qual nos habituamos há milhares de anos.

 

À luz do conhecimento atual, uma nova lógica, um novo modo de raciocinar e entender o mundo está emergindo. O Maffesolli a chama de “razão sensível”. A rigor, não existe nenhuma separação entre razão, emoção e sentimento. Todos são fenômenos que acontecem ao mesmo tempo na dinâmica cerebral de interpretar o mundo. Fala-se muito em separar razão de sentimento, razão de emoção. Diz-se, por exemplo, que existem as escolhas do coração e as escolhas da razão... Oras! Até parece que essas coisas são separáveis! Lembro-me aqui da “penseira” do Dumbeldore (Harry Potter), um artefato no qual ele deixava os pensamentos com os quais não podia se ocupar em dado momento, para que não o incomodassem. Não temos “penseiras” o que quer dizer que a cada minuto das nosssas existências todas as nossas experiências estão sempre conosco, opinando.

 

A lógica que nos leva a sentirmo-nos isolados é aquela que percebe as coisas como separadas umas das outras. Mas se mudamos a percepção das coisas para a percepção da relação entre as coisas, tudo muda! Perceber o padrão em rede é que faz a diferença.

 

Numa rede todos os pontos têm o mesmo potencial e o que define as diferenças são as relações entre os pontos. Um exemplo: atribuímos às pessoas determinadas características, fulano é assim ou açado, é chato ou legal, como se a nossa interpretação do outro não estivesse criando a realidade. Mas é o fulano que é chato ou é a nossa relação com fulano que é chata? No primeiro caso nos eximimos de responsabilidade (razão tradicional/tosca), no segundo assumimos a “co-autoria” da realidade (razão sensível)...



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 12h20
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Achei esta pérola do Santo Agostinho (354 a 430 dc): "Deus querido, dai-me castidade e autocontrole... mas ainda não, oh, Deus, ainda não!"



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 17h57
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Reflexões sobre a realidade...

Este é um espaço de livre pensar, sobre tudo... Sem regras, só a vontade de compartilhar percepções, histórias e idéias.

 

Penso que a vida tem o tamanho das nossas perguntas. Apesar de adulta, ainda mantenho aquele olhar curioso das crianças frente ao mundo. De todas as questões com as quais me deparei, acredito ser esta a mais fundamental: O que é, ou qual é a estrutura da realidade? Como sabemos o que é real e o que é ilusão?

 

Diz o Aurélio que realidade é um sinônimo de pouco uso da palavra realeza. Imagino que o sentido que hoje damos a esta palavra tenha evoluído a partir dos antigos éditos reais, que eram emitidos por reis ou governantes para informar novas regras ou decisões à população.

Hoje, quando usamos a palavra realidade nos referimos ao mundo que nos cerca, às dinâmicas sociais, à realidade coletiva. E cada um descreve essa realidade com seus olhos, com sua forma particular de interpretação.

 

Por outro lado, me pergunto, a realidade existe independente de quem a observa? Descartes concluiu que ele pensava, logo existia. Era possível duvidar de tudo, menos de que estava duvidando de tudo. Hoje, a maioria de nós tem a certeza de que existe um mundo material  independente de nós. Será? Parece-me que essa crença milenar pode estar em vias de extinção...

 

O que nos dá a “certeza” de que existe um mundo lá fora são nossos cinco sentidos: visão, audição, olfato e paladar, que funcionam como partes integrantes do nosso cérebro. O cérebro humano é uma das coisas mais complexas que existem no universo. É formado por uns 100 bilhões de neurônios que se conectam uns aos outros formando uma intrincada e enorme teia que se modifica o tempo todo. Cada cérebro tem uma configuração única, não existem dois iguais. Mas, por outro lado, todos “funcionam” de maneira similar, é o que diz a neurociência. Como funciona o ato de ver? O ato de ver é um processo. No ato da visão os fótons, partículas de luz, viajam do objeto até o olho e passam pelo cristalino onde são refratados e focados na retina, no fundo do olho. Ali os sinais luminosos são transformados em sinais elétricos e transmitidos por neurônios até o centro da visão na parte posterior do cérebro. O ato de ver ocorre nesse centro de visão. Quando dizemos “nós vemos” na verdade vemos o efeito dos raios luminosos atingindo os olhos, convertidos em sinais elétricos e formados no cérebro. O que  observamos são esses sinais elétricos transformados em paus e pedras.  A mesma situação se aplica a todos os outros sentidos: som, tato, sabor e olfato, que são também todos percebidos no cérebro como sinais elétricos.

 

O cérebro, durante nossa vida, jamais se confronta com a fonte original da matéria que existe fora de nós. Tudo aquilo que vemos, ouvimos, tocamos e sentimos como matéria, o mundo e até mesmo o universo são apenas sinais elétricos em nosso cérebro. Nossos cérebros, literalmente, interpretam a realidade!

 

Por outro lado, diz a física quântica que tudo no universo é constituído por átomos, que são formados por életrons que orbitam em torno de núcleos compostos por prótons e nêutrons, que sua vez são formados por quarks que emanam de pequenas cordas vibracionais. Os elétrons se comportam de forma estranha, são ao mesmo tempo ondas e partículas. E se comportam de uma ou outra forma dependendo do observador. E mais, as partículas subatômicas não podem ser entendidas como entidades isoladas, mas devem ser definidas através de suas inter-relações. Nas palavras do físico Heisenberg “O mundo apresenta-se como um complicado tecido de eventos, no qual conexões de diferentes espécies se alternam, se sobrepõem ou se combinam e desse modo determinam a contextura do todo.”

 

Parece que da mesma forma que tudo que o rei Midas tocava se transformava em ouro, tudo o que “tocamos” se transforma em matéria...

 

Se Descartes estivesse vivo hoje, talvez a conclusão fosse: penso, logo crio! Ou, quem sabe, como diz o Amit Goswami: “Escolho, logo existo!” O fato é que, parece, a realidade não existe independente de nós mesmos...



Escrito por Clara Pelaez Alvarez às 17h28
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